São cruciais para a segurança energética e têm uma das menores pegadas ecológicas por unidade de energia gerada.
Nuclear no Brasil
Do TCABR a Angra — o Brasil no mapa da energia atômica.
Da pesquisa a Angra
- 1956 — Acordo de cooperação nuclear Brasil-EUA assinado.
- 1974 — Grupos de pesquisa em fusão criados na USP, UFRGS e UNICAMP, após a crise do petróleo de 1973.
- 1975 — Acordo nuclear Brasil-Alemanha: o país adquire tecnologia para enriquecimento de urânio e construção de usinas — um dos acordos de transferência tecnológica mais ambiciosos da época.
- 1985 — Angra 1 entra em operação em Angra dos Reis (RJ), com potência de 657 MW. Primeiro reator nuclear comercial do Brasil.
- 1987 — TBR-1, primeiro Tokamak 100% brasileiro, construído no Instituto de Física da USP com componentes artesanais.
- 1999 — TCABR inaugurado na USP — maior Tokamak do Hemisfério Sul, adquirido da Escola Politécnica de Lausanne (Suíça) e adaptado pelo grupo brasileiro.
- 2001 — Angra 2 entra em operação, potência de 1.350 MW.
- 2006 — Brasil domina o ciclo completo de enriquecimento de urânio — um dos apenas 8 países do mundo com essa capacidade.
- Novembro de 2024 — CNEN autoriza Angra 1 a operar até 2055, com investimento de US$ 550 milhões em modernização.
- Fevereiro de 2025 — Meta de conclusão de Angra 3 revisada para 2031 pelo governo federal.
Fontes: PESTANA, A. ITER e os caminhos da fusão no Brasil. FUNAG; NucNet, nov. 2024; World Nuclear Association, "Nuclear Power in Brazil", nov. 2025.
Política nuclear brasileira — o que existe e o que falta
O Brasil tem uma das políticas nucleares mais completas da América Latina — mas enfrenta desafios sérios de financiamento e continuidade.
O que existe
- CNEN — Comissão Nacional de Energia Nuclear, criada em 1956. Regula, pesquisa e autoriza o uso da tecnologia nuclear no país.
- INB — Indústrias Nucleares do Brasil. Responsável pelo ciclo do combustível nuclear, do urânio até as pastilhas para os reatores.
- Eletronuclear — Empresa estatal que opera Angra 1 e 2 e está construindo Angra 3.
- Programa Nuclear da Marinha (CTMSP) — desenvolve propulsão nuclear para submarinos.
- PNFN — Programa Nacional de Fusão Nuclear, coordenado pela CNEN com participação da USP. Prevê criação do Laboratório Nacional de Fusão em Iperó (SP).
Fonte: SBPC, portal.sbpcnet.org.br; BIFUSP, portal.if.usp.br, 2023.
O que falta
O Brasil não tem política pública estável para fusão nuclear. A pesquisa depende quase inteiramente de CNPq, FAPESP e CAPES — sujeitos a cortes. Sequer existem dados consolidados sobre o total investido em fusão no país.
Fonte: BARROS, M. defesaemfoco.com.br, 2021.
Paradoxo: o Brasil tem bases científicas, reservas de urânio (6ª maior do mundo) e pesquisadores qualificados. O que falta é decisão política de longo prazo.
Os três Tokamaks brasileiros
O Brasil opera três Tokamaks experimentais, todos em universidades ou institutos públicos. É o único país do Hemisfério Sul nessa condição.
Fonte: SBPC, 2023; O Cafezinho, maio 2026.
TCABR — USP, São Paulo
O maior Tokamak do Brasil. Adquirido da Escola Politécnica de Lausanne (Suíça) e adaptado pelo grupo do Instituto de Física da USP, opera desde 1999. Realiza pesquisas sobre turbulência de plasma e instabilidades magnetohidrodinâmicas. Em modernização com bobinas RMP e sistema de hélio — deverá ser a primeira máquina do Laboratório Nacional de Fusão (LFN), previsto para ser construído em Iperó (SP).
Fonte: CANAL, G. "Modernização do Tokamak TCABR". CNEN/USP, 2021; SBPC, 2023.
ETE — INPE, São José dos Campos
Tokamak esférico, construção iniciada em 1995, primeiro plasma em 2000. Design diferente do TCABR — câmara esférica, mais compacta — serve como plataforma de testes para tecnologias alternativas de confinamento.
NOVA — UFES, Vitória (ES)
Doado pelo governo japonês (originalmente construído pela Universidade de Kyoto). Opera no Laboratório de Plasma Térmico da UFES.
Fonte: UFES, "Novo equipamento permite ampliação de pesquisas". ufes.br
Os três laboratórios colaboram com pesquisadores de Alemanha, EUA, Rússia, Portugal e Reino Unido. O principal obstáculo: financiamento intermitente e dificuldade de reter especialistas formados no Brasil.